Passei 9 dias na Turquia com uma amiga lindíssima (com duas amigas lindíssimas, na verdade) e já me tinha esquecido do quão diferentemente são tratadas as pessoas muito bonitas. Desde estranhos que lhe dirigiam palavras simpáticas na rua a propósito de nada (e aqui não incluo flirt nem piropos, só mesmo interações casuais sem conteúdo aparentemente romântico!), todos os vendedores a tentar oferecer-lhe comida grátis nos mercados e pessoas em posições de atendimento ao cliente a ser mais solícitas que o normal, foram 9 dias a ser relembrada de forma muito constante do quanto o pretty privilege impacta a nossa vida, remove obstáculos e materializa oportundiades espontaneas. E precisava mesmo deste reforço de awareness, não só para estar mais atenta aos momentos em que isso me acontece e saber reconhecer e ter voz ativa para travar, como para me relembrar porque é que sou tão cuidadosa nas interações com os outros e atribuo zero valor a elogios - o ego desfoca-nos da vida.
Aparentemente sou ótima a ler pessoas em 99% dos contextos e a minha intuição nunca falha, mas péssima a ler pessoas em situação de flirt. As skills falham-nos sempre quando mais precisamos delas.
A vida mudou nos últimos três anos e eu não sei falar sobre isso. Todos os meses leio estudos com conclusões preocupantes, vejo pessoas com sequelas e problemas de saúde e há menos de quatro meses morreu-me uma pessoa próxima com Covid. Para mim, a vida não voltou a ser como era em 2019 e, por mais desesperadamente que eu deseje o contrário, não acredito que volte a ser nos próximos tempos. Percebo porque é que tantas pessoas têm uma abordagem diferente, no final do dia estamos todos a fazer trade offs e avaliações de risco diferentes e provavelmente igualmente válidas. Em 2023 continuo a ter quase todos os cuidados que tinha em 2021, com tudo de bom e de mau que isso acarreta. Em 2023 a vida faz menos sentido do que eu gostaria, mas continua a ter muito mais coisas boas do que coisas más e isso é o mais importante. Ter uma perspetiva diferente e tomar decisões que os outros nem sempre compreendem é duro. E eu não tenho sabido (ou querido) falar sobre isso. Consequentemente, não tenho sabido (ou querido) falar sobre outras coisas.
Fiz uma lista de livros que queria mesmo ler em 2022... e acabei por só ler cerca de metade. Claramente não querendo render-me às evidências que não sou pessoa de cumprir listas e que ler não funciona como to do para mim, decidi tentar novamente em 2023 e reciclar algumas das obras que ficaram por ler em 2022. Estou mais confiante para este ano porque já tenho vários livros da lista e eu dou sempre prioridade a livros que já comprei/recebi emprestado.
1. On Earth We're Briefly Gorgeous, Ocean Vuong
Está na minha lista desde 2021 e ainda não o consegui ler, mas é um dos 4 livros que já tenho e se tudo correr bem, vou lê-lo já em Fevereiro! O protagonista está nos late 20s e narra a ação através de uma espécie de carta para a sua mãe, na qual fala sobre a história da sua família e da sua vida até ao momento. É descrito como sendo um livro sobre o poder de contarmos a nossa própria história e falarmos da nossa identidade.
2. The Heart's Invisible Furies, John Boyne
Outro livro que transitou da minha lista de 2021, este conta a história de um homem irlandês que é adotado por um casal endinheirado de Dublin, após ser abandonado pela mãe adolescente. Dá-nos uma perspetiva sobre a Irlanda desde os anos 40 até ao presente e também fala muito sobre identidade, pertença e a colisão entre as nossas origens e a pessoa em quem nos tornamos ao longo da vida.
3. A Man Called Ove, Frederik Backman
Li um livro deste autor há alguns anos e fiquei imediatamente rendida. Conta a história de um senhor de meia-idade muito solitário e rezingão que, contra sua vontade, acaba por se tornar próximo dos seus vizinhos. ste autor é hilariante e consegue falar sobre temas quotidianos de forma muito própria e com uma mestria que eu raramente encontro. Mal li a descrição achei imediatamente que este é exatamente o tipo de livro que nos aquece o coração e na qual Backman é imbatível.
Li um livro deste autor há alguns anos e fiquei imediatamente rendida. Conta a história de um senhor de meia-idade muito solitário e rezingão que, contra sua vontade, acaba por se tornar próximo dos seus vizinhos. ste autor é hilariante e consegue falar sobre temas quotidianos de forma muito própria e com uma mestria que eu raramente encontro. Mal li a descrição achei imediatamente que este é exatamente o tipo de livro que nos aquece o coração e na qual Backman é imbatível.
4. Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie
Ainda só li um livro da autora, mas foi suficiente para perceber porque é que ela tem tantos leitores no mundo inteiro. Os livros dela falam sobre identidade e a prosa dela é muito bonita. Tal como a maioria da sua obra, este livro decorre na Nigéria e acompanhamos um casal durante um período em que cada elemento emigra para um país diferente e uns anos depois, após regressarem ambos à Nigéria. Com alguma pena, este será provavelmente o último livro que lerei desta autora - e faço questão de o ler através de uma biblioteca que já o tenha em stock ou da coleção de um amigo - devido aos comentários transfóbicos que ela fez recentemente.
5. A Gentleman in Moscow, Amor Towles
Em 2021 li um livro deste autor e decidi logo que ia querer ler todos os livros dele! Esta é a sua obra mais conhecia e acompanhamos um aristocrata que está em prisão domicilaria e, através da sua janela com vista para uma das praças principais de Moscovo, vê vários acontecimentos históricos a desenrolar-se. Amor Towles escreve ficção histórica como ninguém e conquista até leitores que habitualmente não lêem este género.
Em 2021 li um livro deste autor e decidi logo que ia querer ler todos os livros dele! Esta é a sua obra mais conhecia e acompanhamos um aristocrata que está em prisão domicilaria e, através da sua janela com vista para uma das praças principais de Moscovo, vê vários acontecimentos históricos a desenrolar-se. Amor Towles escreve ficção histórica como ninguém e conquista até leitores que habitualmente não lêem este género.
6. Know my Name, Chanel Miller
Todos deviamos mesmo saber este nome porque a coragem desta autora em lutar e expôr a sua história de abuso sexual é louvável. Sei que esta vai ser uma leitura dura e difícil porque infelizmente é uma história que se repete às centenas em Portugal e aos milhões no mundo. Todos os anos. Todos os dias. E se dependesse de mim, abriamos todos o telejornais com o nome destas pessoas e faríamos da luta contra esta praga prioridade máxima em todos os programas políticos.
Todos deviamos mesmo saber este nome porque a coragem desta autora em lutar e expôr a sua história de abuso sexual é louvável. Sei que esta vai ser uma leitura dura e difícil porque infelizmente é uma história que se repete às centenas em Portugal e aos milhões no mundo. Todos os anos. Todos os dias. E se dependesse de mim, abriamos todos o telejornais com o nome destas pessoas e faríamos da luta contra esta praga prioridade máxima em todos os programas políticos.
7. A Strangeness in my Mind, Orhan Pamuk
Sei pouco sobre este livro, mas não só tem reviews muito boas como o autor tem um Nobel da Literatura! A ação decorre em Istambul, uma cidade sobre a qual eu sei vergonhosamente pouca coisa, e acompanha o protagonista ao longo de 40 anos, enquanto este vê a cidade mudar e se questiona sobre o porquê de se sentir diferente e à parte de todas as pessoas que conhece. Apesar de tendencialmente não gostar muito das obras da maioria dos autores galardoados com o Nobel, a sinópse deste livro deixou-me curiosa e estou otimista.
8. Mayflies, Andrew O'Hagan
Nunca li nada deste autor nem conheço pessoalmente ninguém que o tenha feito, mas bastou ler a sinópse e algumas reviews no Goodreads para ficar muito curiosa. A ação decorre em duas linhas temporais diferentes: um Verão nos anos 80 durante o qual o protagonista é ainda muito jovem e vive uma série de experiências que vão moldar a sua vida e 30 anos depois, quando o telefone toca e é a amiga com quem passou esse Verão a ligar com novidades.
Nunca li nada deste autor nem conheço pessoalmente ninguém que o tenha feito, mas bastou ler a sinópse e algumas reviews no Goodreads para ficar muito curiosa. A ação decorre em duas linhas temporais diferentes: um Verão nos anos 80 durante o qual o protagonista é ainda muito jovem e vive uma série de experiências que vão moldar a sua vida e 30 anos depois, quando o telefone toca e é a amiga com quem passou esse Verão a ligar com novidades.
9. The Grapes of Wrath, John Steinbeck
O primeiro livro que li em inlgês foi de John Steinbeck. Tinha 15 anos e claramente não tinha nem idade nem dominio da língua suficientes para ler e perceber este autor, por isso foi uma expriência desagradável que teve que acontecer porque fazia parte da avaliação de inglês do meu 10º ano. Achei tão aborrecido que nunca mais voltei a ler nada do autor e passados mais de 10 anos consigo reconhecer que isso é parvo. O meu clube de leitura recomendou-me este livro e sinto que está na hora de dar uma 2ª oportunidade a Steinbeck. 10. The Glass Castle, Jeanette Walls
Oiço falar deste livro há anos, mas decidi que em 2023 ia finalmente ler Glass Castle e formar a minha própria opinião. Na verdade, li-o em Janeiro, antes ainda de ter este post terminado. É uma biografia e conta a história da infância de 4 irmãos que foram criados por pais com uma filiosofia de vida fora do comum. Viviam de cidade em cidade, sem empregos estáveis e com muito poucos bem materiais. Na idade adulta quase todos os irmãos optam por um estilo de vida convencional, o que lhes dá uma perspetiva única sobre a loucura das condições em que foram criados. Foi um dos livros mais interessantes que li nos últimos tempos.
Oiço falar deste livro há anos, mas decidi que em 2023 ia finalmente ler Glass Castle e formar a minha própria opinião. Na verdade, li-o em Janeiro, antes ainda de ter este post terminado. É uma biografia e conta a história da infância de 4 irmãos que foram criados por pais com uma filiosofia de vida fora do comum. Viviam de cidade em cidade, sem empregos estáveis e com muito poucos bem materiais. Na idade adulta quase todos os irmãos optam por um estilo de vida convencional, o que lhes dá uma perspetiva única sobre a loucura das condições em que foram criados. Foi um dos livros mais interessantes que li nos últimos tempos.
Em Janeiro de 2022 comecei um 5 Year Journal. O conceito é muito simples: responder em 3-4 linhas a uma pergunta pré-definida todos os dias, durante 5 anos, e ver como as respostas (e a nossa vida) mudam ao longo dos 5 anos em que mantemos o diário. Agora que entrei no 2º ano, tento responder sem olhar para a resposta que dei em 2022 e é muito giro perceber o quanto muitas coisas mudaram, mas principalmente que todas as coisas importantes estão exatamente iguais.
Vi muitas séries em 2022 e uma boa parte delas foi muito boa. Abaixo, partilho convosco as minhas 5 favoritas.
What We Do in the Shadows
É uma sátira aos filmes e séries sobre vampiros e é filmada em forma de documentário. Acompanhamos 4 vampiros e o seu ajudante humano nas suas aventuras em NY. Esta série é muito direta e despretenciosa, percebemos imediatamente que é uma sátira e o que a torna tão hilariante é a capacidade de brincar com a mitologia vampírica, com o conceito de documentário e com os detalhes absurdos da vida atual.
White Lotus
Cheguei tarde ao fanatismo com White Lotus, mas estou muito feliz por me ter rendido a esta série. Conta já com 2 temporadas e em cada uma delas, seguimos um grupo de hóspedes num hotel White Lotus. Estes estabelecimentos ficam sempre em destinos paradisíacos e têm como audiência pessoas da classe média-alta e alta. No início da temporada sabemos que morreu um hóspede, mas só no último episódio descobrimos quem e porquê. Até lá, vamos acompanhado as histórias e enredos de cada família e de alguns dos elementos do staff. White Lotus é muito boa a captar e satirizar não só os detalhes ridículos da classe alta, como os clichés de cada geração e de cada tipo de personalidade.
Bridgerton
Às vezes a vida é difícil e só precisamos de uma série histórica cheia de romance para nos esquecermos dos problemas e relaxarmos sem pensar em nada e Briderton foi isso mesmo para mim. Sempre que sai uma temporada nova, já sei que posso contar com cinematografia bonita, um enredo rico e fácil de seguir e distância histórica suficiente para me ajudar a fazer uma pausa da realidade. Gostei tanto da segunda temporada como tinha gostado da primeira e estou entusiasmada para acompanhar um casal novo na temporada de 2023.
Killing Eve
Na verdade Killing Eve já tem uns aninhos, mas pouco tempo depois de ver a primeira temporada desisti da HBO e só voltei a subscrever recentemente. Em 2022 vi as temporadas 2 a 4 e concluí finalmente a série. A série gira à volta de uma assassina e de uma agente que a tenta capturar e o ponto central é a relação obsessiva que elas desenvolvem. Killing Eve tem um conceito interessante, uma execução muito original e brilhante e uma abordagem muito coerente à feminidade, colocando as mulheres no centro da ação e celebrando a sua inteligência sem romantizar as coisas horríveis pelas quais as persoagens vão sendo responsáveis ao longo da série.
Industry
De vez em quando aparece uma série sobre pessoas na casa dos 20s a viver uma vida descompensada e cheia de sexo, drogas e más decisões e é quase certo que eu vou gostar. Neste caso, seguimos um grupo de trainees no seu primeiro ano de trabalho num banco muito conceituado. A área da banca de investimento é conhecida pelas horas de trabalho descontroladas e pelas loucuras que são cometidas no backstage para aguentar o ritmo e a pressão. É isso mesmo que esta série promete e entrega episódio após episódio. Confesso que não achei a segunda temporada tão forte como a primeira, mas tem sido muito bom ver estas personagens crescer e continuar a tomar decisões terríveis.
Li 34 livros e embora tenha tido algumas surpresas muito positivas, 2022 foi um ano morno nas leituras e em tudo o resto. Abaixo fica a lista do meu top 7.
Fantasia
Trilogia Poppy War, R. F. Kuang
Comecei esta trilogia em 2021 e terminei o último livro no início de 2022, mas não podia deixar de a incluir no meu top do ano. Éuma trilogia de fantasia inspirada na hitória e mitologia chinesas na qual acompanhamos a protagonista desde que esta é selecionada para estudar na academia militar de maior prestígio do império até esta assumir um papel de responsabilidade nas guerras que o seu pais atravessa. O enredo é muito rico e leva-nos numa viagem alucinante e cheia de personagens muito interessantes. The Poppy War tem sido considerada uma das maiores obras de fantasia das últimas décadas e eu não só não podia concordar mais como fico impressionadissima por a autora ter escrito o primeiro livro quando tinha apenas 19 anos.
The Assassin's Apprentice, Robin Hobb
Robin Hobb é outro nome incontornável da fantasia e eu nunca tinha lido nada dela. Em 2022 finalmente peguei no primeiro livro da triologia mais conhecida dela e não fiquei desiludida. A autora construiu um universo clássico inspirado na idade média, no qual seguimos um dos bastardos da família real desde a infância até este se tornar parte integrante da vida social da corte. No primeiro livro acompanhamos maioritariamente a sua infância e adolescência e embora o ritmo tenha sido bastante lento, a técnica, as personagens e o enredo que a autora montou foram muito interessantes e estou com muita curiosidade para ler o resto da trilogia e ver o impacto da personagem principal enquanto adulto.
Robin Hobb é outro nome incontornável da fantasia e eu nunca tinha lido nada dela. Em 2022 finalmente peguei no primeiro livro da triologia mais conhecida dela e não fiquei desiludida. A autora construiu um universo clássico inspirado na idade média, no qual seguimos um dos bastardos da família real desde a infância até este se tornar parte integrante da vida social da corte. No primeiro livro acompanhamos maioritariamente a sua infância e adolescência e embora o ritmo tenha sido bastante lento, a técnica, as personagens e o enredo que a autora montou foram muito interessantes e estou com muita curiosidade para ler o resto da trilogia e ver o impacto da personagem principal enquanto adulto.
Trilogia Locked Tomb, Tamsyn Muir
Li o segundo livro desta saga em 2022 e adicionei imediatamente o terceiro e quarto volumes à minha lista de leituras de 2023. É difícil explicar o tema destes livros porque metade do tempo o leitor não faz ideia do que está a acontecer. E o mais surpreendente é que nem por isso a experiência deixa de ser fantástica. Tem sido comunicado como uma série de fantasia meets sci-fi meets murder mystery com lésbicas que fazem necromancia no espaço - esta descrição é bastante precisa e ainda assim diz muito pouco sobre o que acontece, mas vão ter que ler a sinópse do link que coloquei no título e, caso vos pareça interessane, dar o salto de fé e prepararem-se para absoluto caos durante 400 páginas.
Li o segundo livro desta saga em 2022 e adicionei imediatamente o terceiro e quarto volumes à minha lista de leituras de 2023. É difícil explicar o tema destes livros porque metade do tempo o leitor não faz ideia do que está a acontecer. E o mais surpreendente é que nem por isso a experiência deixa de ser fantástica. Tem sido comunicado como uma série de fantasia meets sci-fi meets murder mystery com lésbicas que fazem necromancia no espaço - esta descrição é bastante precisa e ainda assim diz muito pouco sobre o que acontece, mas vão ter que ler a sinópse do link que coloquei no título e, caso vos pareça interessane, dar o salto de fé e prepararem-se para absoluto caos durante 400 páginas.
Ficção
The Secret History, Donna Tart
Há uns anos li um livro desta autora e achei tão mau que, até hoje, recordo esse livro como uma das piores experiências literárias da minha vida. Peguei no Secret History a medo, depois de pelo menos cinco anos a ouvir críticas maravilhosas e de ler a sinópse várias vezes para me certificar que a permissa fazia o meu estilo. E ainda bem que decidi dar uma oportunidade a este livro porque foi uma experiência completamente diferente e embora continue a achar que tudo o que esta autora escreve deveria ser fortemente editado e ter apenas metade das páginas, em Secret History a verborreia da autora não se tornou tão cansativa e penosa como eu esperava. Acompanhamos um grupo de 6 amigos a terminar a licenciatura em Estudos Clássicos numa universidade nos EUA e sabemos desde o primeiro capítulo que um deles morre durante esse ano letivo.
Há uns anos li um livro desta autora e achei tão mau que, até hoje, recordo esse livro como uma das piores experiências literárias da minha vida. Peguei no Secret History a medo, depois de pelo menos cinco anos a ouvir críticas maravilhosas e de ler a sinópse várias vezes para me certificar que a permissa fazia o meu estilo. E ainda bem que decidi dar uma oportunidade a este livro porque foi uma experiência completamente diferente e embora continue a achar que tudo o que esta autora escreve deveria ser fortemente editado e ter apenas metade das páginas, em Secret History a verborreia da autora não se tornou tão cansativa e penosa como eu esperava. Acompanhamos um grupo de 6 amigos a terminar a licenciatura em Estudos Clássicos numa universidade nos EUA e sabemos desde o primeiro capítulo que um deles morre durante esse ano letivo.
Daisy Jones & The Six, Taylor Jenkins Reed
Taylor Jenkins Reed é sempre uma boa opção quando preciso de um livro leve mas que não descure o conteúdo. Daisy Jones & The Six foi um dos últimos livros que li em 2022 e conta a história da ascenção (e queda) de uma banda de rock. É uma leitura muito rápida que nos prende desde o primeiro capítulo e não requer muito esforço mental. Tem a particularidade engraçada de ser escrita em formato de entrevista, ou seja, não há propriamente narração, apenas diálogos das várias personagens a responder a perguntas ou a comentar temas e isso traduziu-se num dos audiobooks mais divertidos que já li, com um conjunto de narradores a dar voz a cada uma das diferentes personagens.
Taylor Jenkins Reed é sempre uma boa opção quando preciso de um livro leve mas que não descure o conteúdo. Daisy Jones & The Six foi um dos últimos livros que li em 2022 e conta a história da ascenção (e queda) de uma banda de rock. É uma leitura muito rápida que nos prende desde o primeiro capítulo e não requer muito esforço mental. Tem a particularidade engraçada de ser escrita em formato de entrevista, ou seja, não há propriamente narração, apenas diálogos das várias personagens a responder a perguntas ou a comentar temas e isso traduziu-se num dos audiobooks mais divertidos que já li, com um conjunto de narradores a dar voz a cada uma das diferentes personagens.
Não Ficção
I Contain Multitudes, Ed Yong
Nunca pensei que um livro sobre micróbios fosse estar no meu top do ano, mas 2022 está a ser inesperado em tudo, incluindo nas leituras. Ed Yong é um jornalista especializado em ciência e neste livro fala sobre o papel dos micróbios na nossa vida. Com uma linguagem descomplicada e explicações simples de todos os termos chave para que os leitures sem background em biologia consigam entender tudo, um livro que poderia ser muito denso tornou-se uma leitura divertida e descontraída. Li este livro na praia e tenho pena dos desgraçados que me fizeram companhia nessas férias e tiveram que me ouvir a comentar trivia sobre micróbios.
Invisible Women, Caroline Criado Perez
Este livro lista todas as formas através das quais o mundo está desenhado para maximizar o bem-estar masculino e penalizar o bem-estar feminino. Desde as decisões mais pequenas e aparentemente inconsequentes que são tomadas sem pensar até às decsões importantes tomadas com foco no impacto que terão na população. Da educação às infraesteuturas, da ciência à fiscalidade, é muito duro ler dados sobre a inequidade que ainda vivemos. Este livro é incrível e apoia todos os capítulos com dezenas de estudos científicos e dados governamentais e isso é imprescindível para mim num livro de não-ficcção.
Este ano foi estranho. Teve muitas coisas boas pelas quais estou muito grata, mas também foi exasperante porque as minhas prioridades, preocupações e forma de ver o futuro a curto prazo não estão particularmente alinhadas com as da maioria das pessoas que me rodeiam. Isso fez com que tivesse que dizer muitos "não" difíceis. Especialmente durante os últimos meses, essa sensação de diferença nem sempre foi fácil de gerir emocionalmente. Sou muito sortuda por tudo o que tenho e pelas experiências incríveis que vivi em 2022 - e o meu último post é um bom resumo das coisas maioritariamente boas que pautaram o meu ano. Sei que vivo de forma bastante protegida, rodeada de muito amor e de privilégios incontáveis - tentei ter isso sempre em mente.
Começo o novo ano sem expectativas e com a certeza que não consigo sequer tentar prever nada sobre 2023. 2022 relembrou-me da importância de relativizar e de viver um dia de cada vez, com foco nas 999 coisas que estão muito bem e não no detalhe que está menos bem ou nos planos B, C e D para o futuro. E é com essa serenidade que quero começar 2023, num mood mais introspetivo e menos social que o habitual mas com a certeza que é disso que preciso neste momento.


















