Passaram 14 anos desde que criei este blog e sempre senti que só ia parar de escrever quando/se um dia deixasse de ter coisas para dizer. Não deixei de ter coisas para dizer, mas neste momento faz pouco sentido eu dize-las. Partilhei há uns meses que sentia que a minha forma de ver o presente e o futuro a curto prazo está desalinhadas da das pessoas que me rodeiam. E não tem mal nenhum, mas a verdade é que embora este blog seja essencialmente para mim, não me esqueço que vos tenho desse lado e que o meu conteúdo tem que fazer sentido também para a audiência que o segue. E sinto que tem feito, mas à custa de eu encher este espaço de pequenos nadas que tornam a minha vida mais doce mas que deixam de fora muitos temas e experiências importantes da fase da vida que estou a viver.
Por isso, vamos fazer uma pausa. Quase nada é tão permanente como um "sempre" ou um "nunca" e a vida muda muito rápido, portanto "volto já". Este blog fica aqui: à espera que a vida mude, à espera que eu me alinhe com o mundo e à espera que as coisas que eu tenho para dizer estejam mais próximas de ser as coisas que acho que vocês querem ler. Não sei se daqui a 1 ano ou 5 anos, mas estou confiante que nos cruzamos outra vez e que voltarei a ter muitas histórias do arco da anaa para vos contar!
Este blog vai sempre ser uma das coisas mais fixes que fiz, obrigada por estarem desse lado e tornarem este projeto real e mágico nos últimos 14 anos! Até já, mantenham a blogosfera incrível.
Tomei uma decisão que toda a gente à minha volta acha que é errada e, no entanto, eu nunca tive tanta certeza que tomei a decisão certa e que não poderia ter tomado qualquer outra.
Livros
The Glass Castle, Jeannette Walls
A autora desta biografia cresceu com pais com ideais fora do comum e escreveu este livro para retratar a sua infância passada em pobreza extrema a saltar de cidade em cidade, mas com toda a liberdade e espaço para explorar o mundo que a rodeava. Habitualmente não gosto de biografias, mas tenho quase a certeza que este livro vai fazer parte do meu top 10 do ano.
A Man Called Ove, Fredrik Backman
Este autor é especialista em retratar as pequenas coisas da vida de forma incrivelmente querida e realista. Acompanhamos um senhor de 59 que fica viuvo e se sente revoltado com o mundo e com toda a gente que o rodeia. É um livro que fala sobre comunidade sobre as pequenas oportunidades do dia-a-dia.
The Final Empire, Brandon Sanderson
Sabem aqueles livros tão bons que até ficamos meio ressacados quando acabamos de os ler? Este livro, que faz parte de uma trilogia, é o exemplo perfeito de história que nos envolve durante semanas e nos deixa sem chão quando termina. É um livro de fantasia com muitos elementos clássicos, mas com um mundo com um sistema de "magia" muito original.
Séries/Filmes
Good Trouble
Fazem(-me) falta séries sobre pessoas nos mid 20s. Esta série já conta com 5 temporadas e acompanha a vida de 2 irmãs que se mudam para LA após terminarem os respetivos estudos universitários. Acompanhamos as suas vidas laborais e amorosas, que são absolutamente caóticas e como elas vivem num espaço comunitário temos acesso a um cast de personagens muito diversas e com os seus próprios enredos independentes.
The Sex Lives of College Girls
Prefiro séries sobre adultos porque essa é a fase de vida em que estou neste momento, mas continuo a gostar muito de uma boa série com background universitário. Há já algum tempo que não via uma boa série universitária e descobri esta por acaso na Amazon Prime. Acompanha 4 roomates no seu primeiro ano numa universidade elitista nos EUA e tem todos os elementos clássicos que tornam este tipo de série viciante.
White Lotus
Séries sobre pessoas ricas? Quero ver todas! Cada temporada tem uma história e um conjunto de personagens independentes, mas o conceito é igual: hóspedes de um resort de luxo durante as suas férias. Cada temporada é filmada num país diferente e podemos contar sempre com paisagens paradisíacas. A primeira temporada aconteceu no Hawai, a segunda em Sicilia e a terceira já se sabe que vai decorrer na Tailândia. A série é divertidíssima e tem uma componente interessante de crítica social e se isto não é suficiente para vos concencer, todas as temporadas morre pelo menos um hóspede e isso curiosamente torna a história ainda mais divertida.
Descobrir cocktails incríveis que nunca provei. Amigos de amigos estarem comigo uma vez e dizerem que tenho boa energia. Voltar à minha casa de chá favorita. Mais copos e jantares na esplanada. Ir a restaurantes que estavam na minha lista há muito tempo. Vestidos confortáveis. Voltar às caminhadas à beira rio para terminar bem os dias. Spotify nas manhãs de home office. Conhecer uma cidade nova numa girls trip. Colegas de trabalho que se tornam (potenciais) amigos. Saber que quase nada é para sempre e respirar fundo em dias difíceis. Estar em casa.
Sei que sou uma péssima versão de mim mesma com uma pessoa que me faz achar o mundo muito mais entusiasmante. Nunca me tinha acontecido estar consciente das minhas falhas e limitações enquanto pessoa de forma tão aguda como quanto estamos juntos e importar-me tão pouco com isso no momento. Que combinação perigosa.
Passei um fim-de-semana em Sevilha durante o período de celebrações Pascais (que duram mais de uma semana!) e de repente dei por mim numa das cidades mais bonitas que já visitei, com todos os habitantes locais na rua, vestidos com os seus melhores fatos de cerimónia para passear, celebrar a vida e cumprir as tradições religiosas. Não me lembro de alguma vez ter visto tanta gente tão deslumbrante no mesmo local nem de passear por uma cidade com tanta vida como Sevilha nesse fim-de-semana, foram dias que pareciam saídos de um conto de fadas e entre as tapas, aulas de flamenco, música de rua, parques e muitos milhares de pessoas lindíssimas fiquei completamente rendida à cidade.
Tão certo como o Oráculo de Delfos: estranhos passarem 15 minutos comigo e contarem-me os detalhes mais íntimos das suas vidas sem eu perguntar nada. Dos segredos de fazer corar aos segredos de levar a mão ao peito de choque, batem todos à minha porta. É particularmente irónico porque eu sou muito reservada e há confissões que nem no meu leito da morte me conseguiriam arrancar.
Copos na esplanada depois de um dia de trabalho. Jantares em casa de amigos. Rever Lie to Me e esquecer-me da realidade. Jogar Sims para, deliberadamente, fugir da realidade. Ler na cama no final de dias cansativos. Road trips em trabalho com os meus colegas. Risos no escritório com a minha office bestie, que tornam os dias de trabalho presencial suportáveis. Ouvir música enquanto trabalho em casa. Escrever no meu 5 Year Journal e perceber que todas as coisas importantes estão iguais desde o último ano. Brincar com os gatos e cães das minhas amigas e sentir-me no céu. Beber capuccinos. Brunch mensais, jantares quinzenais e todas as outras formas de garantir que nos meus grupos de amigos não abdicamos de criar espaço para estarmos juntos. Ter comprado um vestido online que ficou bem à primeira (muito contente, mas nunca mais me apanham neste stress!). Fins-de-semana sem planos. Fins-de-semana com planos. Elogios no trabalho. Poder dizer mais ou menos o que quero sem temer pela minha segurança.